domingo, 11 de novembro de 2012

A TENTAÇÃO DE JESUS

Extraído do Livro: Ramos da Videira - Carlos A. Baccelli - Irmão José


"Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi guiado pelo mesmo espírito, no deserto, durante quarenta dias sendo tentado pelo diabo". - Lucas, cap. 4, vv.1 e 2.

Deixando de lado toda a polêmica que se estabeleceu em torno do episódio da tentação, que, sem dúvida, tem exaurido intelectualmente os estudiosos dos textos evangélicos, veja-se que, embora "cheio do Espírito Santo", Jesus foi assediado durante quarenta dias pelas forças que conspiravam contra a Divina Presença na Terra.
O detalhe acima referido adverte para o constante perigo da obsessão, que poupa sequer o homem que devota a existência às coisas de Deus.
Para os chamados obsessores, é um desafio possuir o espírito e anular a tarefa de quem passou a ser um referencial da luz em meio às trevas.  Daí decorre a necessidade de vigiar sempre e nunca se crer invulnerável às urdiduras do Mal.
Ninguém faz idéia da pressão psíquica que o seareiro do Bem experimenta, por parte de seus desafetos, visíveis e invisíveis, para levar adiante os seus compromissos.
Não se esqueça, inclusive, de que, mais particularmente em Judas, as forças malignas conseguiram se infiltrar no colegiado apostólico e, de perto, o tempo todo, acompanhar os menores movimentos do Mestre.
A contraditória figura do Iscariotes leva a deduzir que não é completamente impossível que, estando à serviço da luz, o homem eventualmente, por sua fraqueza de espírito, não possa ser instrumento das trevas.  "O que mete comigo a mão no prato, esse me trairá" - advertiu o Senhor.
De qualquer alttura espiritual a que se eleve, o homem poderá cair, sem que necessariamente retroceda nas conquistas morais efetuadas por ele.
Deprenda-se ainda das anotações de Lucas que, se foi tentado por quarenta dias seguidos, em nenhum deles Jesus cedeu às sugestões do Espírito Maligno, ou seja: porque se expõe naturalmente às influências negativas que prevalecem num mundo de provas e expiações, não significa que o homem venha a se render a elas.  O que o experimenta, ainda mais o fortalece.
Portanto nenhum espírito, no corpo ou fora dele, se julgue isento de tentações e dispensado de vigiar-se até à sua completa integração com Deus.

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