sexta-feira, 27 de setembro de 2013

ALCOÓLATRA

Quadro Pungente
(Poetas Redivivos) Francisco C. Xavier - Diversos Espíritos

Alcoólatra vampiro alça a boca debalde.
Ébrio lábios lambe e escancara a dentuça.
Tateia o vidro, em vão, do frasco verde e jalde.
Rápido, caça alguém no remoto arrabalde.
Alcoólatra encarnado encontra e lhe refuça
A goela que se inflama, enrubesce e empapuça,
Como a sacar de si mais sede que a rescalde
Agarra-se o vampiro ao bêbado por entre
As vértebras do peito e as vísceras do ventre,
Toma-lhe o braço e o corpo...
Estala a língua bronca!
A dupla bebe, bebe...
E, às tontas, na calçada
Cai de borco no chão, estira-se largada,
Delira, geme, dorme, espolinha-se e ronca...
                                           Honório Armond (pg. 65)

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