sexta-feira, 9 de maio de 2014

Ternura Maternal

Livro: Antologia dos Imortais. Francisco C. Xavier. Espírito Carlos Dias Fernandes. FEEB I As paredes da casa em vão procuro, Quero dizer adeus e não consigo... Vejo apenas o vulto amargo e amigo Da morte que me estende o manto escuro. Choro a estirar-me, trêmulo e inseguro, O leito ensaia a pedra do jazido... Padeço, clamo e indago a sós comigo, Qual pássaro que temba contra um muro. A névoa espessa enreda o corpo langue, É o terrível crepúsculo de sangue Que me tinge de sombra os olhos baços; Mas surge alguém, no caos que me entontece, É minha mãe, que alonga as mãos em prece, Doce estrela brilhando nos meus braços!... II Ave que torna, em chaga, ao brando ninho, Ouço divina música na sala. É a sua voz celeste que me embala, Motes do lar que tornam de mansinho. Ergo-me agora... O corpo é o pelourinho De que me desvencilho por beijá-la... "Mãe! Minha Mãe!..." - suspiro, erguendo a fala, A soluçar de júbilo e carinho. -"Dorme, filho querido! Dorme e sonha!..." Nossa velha canção terna e risonha Regressa com beleza indefinida... Tomo-lhe os braços em que me acrisolo E durmo novamente no seu colo Para acordar no berço de outra vida.

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