sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

OS TRÊS CRIVOS

Médium: Francisco C. Xavier
Espírito: Irmão X


      ... Certa feita, um homem esbaforido achegou-se a Sócrates e sussurrou-lhe aos ouvidos: - Escuta, na condição de teu amigo, tenho alguma coisa muito grave para dizer-te, em particular...
      - Espera!... - ajuntou o sábio prudente.  Já passaste o que me vais dizer pelos três crivos?
      - Três crivos? - perguntou o visitante, espantado.
      - Sim, meu caro amigo, três crivos.  Observemos se tua confidência passou por eles.  O primeiro, é o crivo da verdade. Guardas absoluta certeza, quanto aquilo que pretendes comunicar?
      - Bem, ponderou o interlocutor, - assegurar mesmo, não posso... Mas ouvi dizer e... então...
      - Exato. Decerto peneiraste o assunto pelo segundo crivo, o da bondade.  Ainda que não seja real o que julga saber, será pelo menos bom o que me queres contar?
      Hesitando, o homem replicou:
      - Isso não... Muito pelo contrário...
      - Ah! - tornou o sábio - então recorramos ao terceiro crivo, o da utilidade, e notemos o proveito do que tanto te aflige.
      - Útil?!... - aduziu o visitante ainda agitado. - Útil não é...
      - Bem - rematou o filósofo num sorriso, - se o que tens a confiar não é verdadeiro, nem bom e nem útil, esqueçamos o problema e não te preocupes com ele, já que nada valem casos sem edificação para nós...
      Aí está, meu amigo, a lição de Sócrates, em questões de maledicência...

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